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ENCONTRO DE TECNOXAMANISMO: Sobrevivência, Indigenismo, Catástrofes Ambientais e Industriais

  • 24 de mar. de 2016
  • 2 min de leitura

“La naturaleza se convierte en la Zona, un espacio donde el tiempo y espacio han sido alterados por la acción humana, y donde al mismo tiempo los sentidos humanos no han evolucionado a la par para percibir estas alteraciones. Se produce una desorientación y una necesidad de recalibrar nuestros sentidos. " (tese de Pablo de Soto) Falar de sobrevivência necessariamente passa pela questão indígena. Como diz Eduardo Viveiros de Castro, eles são mestres em sobrevivência, já que seus mundos vem sendo exterminados desde a chegada das caravelas. A pergunta aqui é, quem sobrevive com os índios e quem sobrevive aos índios? Porque o tecnoxamanismo se interessa em acionar o “devir-indio” e que implicações isso tem? A ideia de tecnologia e desenvolvimento a qualquer custo tem trazido uma série de consequências ambientais, produzindo catástrofes, dizimando comunidades, interrompendo fluxos de rios. Nos interessa discutir nesse encontro temas relativos a Chernobyl, Fukushima, Lama de Mariana e seus sobreviventes. Como diz Svetlana Alexievich em seu livro Vozes de Chernobyl, “a paisagem de Chernobyl depois do acidente nuclear, se tornou uma imagem do futuro, não do passado”. A virada da época geológica holoceno para antropoceno tem servido como palco para muitas inquietações, políticas, sociais, ecológicas, subjetivas, científicas. A iminência de uma grande catástrofe avassaladora, ou o término lento do mundo que conhecíamos tem levantado vários movimentos de transformação, anti-antropocêntricos, que desejam abrir o pensamento, acionar outros devires, ampliar o espectro, fortalecer o imaginário para que vire antena de captação e emissão em grandes escalas. Isso faz com que muitos de nós nos juntemos de alguma forma aos “sobreviventes” dos mundos destruídos, para aprendermos com eles sobre sobrevivência, enquanto inventamos outras formas de existência, conectando o futuro e a ancestralidade. O tecnoxamanismo é um movimento que vai nessa direção, de abrir canais de comunicação ancestrofuturistas, fazendo cosmogonias livres, rituais faça-você-mesmo, enquanto desenvolve tecnologias ecológicas. Tudo isso exige muito trabalho de sonhos, imaginário, percepção e ações práticas. É por isso que o tecnoxamanismo ao invés de exercer um ativismo crítico-racionalista aposta mais incisivamente nas cartas da ficção, hiperstição, incorporação, para colocar em movimento nossa existência cósmica, tão enfraquecida nos dias de hoje, e geralmente cooptadas por sistemas de dominação e controle. Esses e outros temas serão debatidos durante a programação do Encontro de Tecnoxamanismo no deCurators, que culmirá num Ritual (Do It Yourself) ou num levante para uma “Cosmogonia Livre”! Texto de referência: “Prolegômenos para um Possível Tecnoxamanismo": https://catahistorias.files.wordpress.com/2014/03/prolegc3b4menos-para-um-possc3advel- tecnoxamanismo.pdf


 
 
 

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